A filosofia do espanto

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Ilustração: Pinzallades al Món

Lauro Henriques Jr.: Quem abre nossa roda de histórias é o poeta Mário Quintana. Ele pergunta: “Que haverá com a lua, que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira vez?

Rubem Alves: Haa, o espanto com a lua. Há poucos dias vivi isso. Fui até a varanda e, de repente, tive aquele assombro: lá estava ela, espantosa no céu. O espanto diante da vida é absolutamente essencial. Eu até já propus que as escolas criassem um novo tipo de professor: o professor de espantos. Ele não teria programa de ensino, nada disso, seria alguém que diz: “Olha, vejá lá!” – alguém que se espanta e que ensina a gente a se espantar. O olhar de espanto é o olhar da criança, que está sempre vendo o mundo como se fosse a primeira vez. Os gregos antigos tinha uma palavra, ‘thaumazein’, que se referia exatamente à importância desse estado de admiração, de você ficar abobalhado; para eles, é isso o que faz você pensar.

*   *   *

O trecho acima integra o livro de entrevistas Palavras de Poder – Volume 3. Já falei sobre ele aqui no Além (clica aqui pra ver), quando o li o Volume 1 e 2. A última entrevista que fecha esse terceiro volume da série traz a leveza certeira e lúdica de Rubem Alves. Memorável! Vale ver além desse trechim!

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