Sêbastiana

No sertão do cerrado, os rezos tem a mesma força de suas matas, aquela pequenez de árvore retorcida que cheira profundidades de uma raiz resiliente. Lá, conheci rezarias tradicionais aos santos do nosso povo. Rezarias de vozes baixas e fé gigante. Rezarias que fazem chover no sertão dos gerais.

TERÇO

Foto: Mariana Cabral

Terra molhada
É janeiro no sertão
Onde São Sebastião
Vem fazer seu festejar
Porteira aberta
No altar a vela acesa
Fartura em toda mesa
Muitas vozes vão rezar

Em todo ano
Na casa de Salvador
Rezaria faz louvor
No terço de bendição
Seus pés descalços
Aprontam todo terreiro
Com fé no santo certeiro
Pra lhe fazer devoção

Dona da casa
Jô costura acolhimento
Do lar que faz sustento
Para o rezo receber
Pela parede
O olho de Santa Luzia
Alumia o fio do dia
Do sol ao anoitecer

Ali em coro
Benditos são entoados
Pedidos são consagrados
A cada sinal da cruz
E viva o Santo!
Livrador de fome e guerra
Tão rogado nessa terra
Recarrega nossa luz.

Keyane Dias — 22 de janeiro de 2016

A raiz é mesmo profunda

20 de janeiro também é dia de meu pai Oxóssi, orixá padroeiro da linha dos Caboclos, conhecedor das ervas, divindade da fartura, da caça, curador, protetor das matas, sincretizado como São Sebastião.

3 comentários sobre “Sêbastiana

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