Cordel Benzadeus!

Quando bem jovem, fui estudar Jornalismo, sem ainda entender o chamado de simplesmente escrever e poetizar o que percebo no mundo. No retorno aos saberes da terra e à elevada simplicidade das tradições, fui logo descobrindo que os cordelistas são os comunicadores primeiros do sertão e que poetas, pelo mundo afora, são a eterna voz caminhante na busca de sentido, “estrangeiros no mundo” contando histórias.

Depois de firmar os pés na poesia, chego ao inevitável, escrevo meu primeiro cordel. Neste folheto, trago o feminino de uma mulher nascida e vivente numa era de transição. Sem discurso de ódio ou separação, falo aqui de saberes que não sucumbiram à engenhosa opressão capitalista e machista que está caindo. Mundo velho se vai e as ciências da vida e da terra se refinam para o mundo não padecer.

Dedico e ofereço estes versos às minhas avós e avôs, raízes de sertões nordestinos da qual sou semente viva. Aos cordelistas e poetas populares. Às minhas ancestrais e às senhoras, senhores, mestras, yoguis e griôs com quem aprendo sobre Saúde e Vida pelo Brasil adentro e (um dia) pelo mundo afora.

Graças a Deus e com fé na guia!

*
A licença aqui vos peço
Pra esse cordel passar
Aos antigos versadores
A bença pra eu chegar
Sou mulher de poesia
E, com ela, todo dia
Escrevo pra assuntar

Aqui, trago memórias
Em versos de cantoria
Pra falar das guardiãs
Dos saberes de valia
Rezadeiras e parteiras
Benzedeiras e erveiras
Mulheres de valentia…

 

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