Benzedura

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A bença da velha, eu peço,
Pra bem ficar protegida.
Em mão rugosa, confio
A benza da fé acolhida.

Com ramo tira quebranto,
Mistério pouco revelado.
Ave Cruz, canto em credo!
Sara do mau olhado.

Socorro de mulher prenha,
Aconchego para criança.
Ajuda com erva santa
Corpo fraco que se cansa.

É dom, fonte ancestral,
  Quem recebe esse saber.
E se tiver pouca fé,
Nem adianta se benzer.

Elas resistem na cidade
E nas matas do interior.
Senhoras de valentia,
Guerreiras do bom senhor.

Trabalho de caridade,
Auxílio pra alma sofrida.
Com jejum e bom respiro
Apruma espinhela caída.

Sincretismo de benfeitura,
Catolicismo popular.
No terreiro, na pajelança,
Baixinho a sussurrar:

“Quem pra ti olhô
Com os olho malvado
Eu vou jogar nas onda
Do mar sagrado.”

Tal qual essas senhoras,
Tem os velho rezador.
Trabalham com a mesma fé,
Com a força do mesmo amor.

Salve Deus!, essas mão santa.
A cura do benzimento!
Escudo da santa cruz.
A graça que traz alento.

(poesia dedicada a Dona Pedralina, benzedeira de Ribeirão da Areia – MG)

Keyane Dias
26.08.14 – Taguatinga (DF)

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Abaixo, selecionei alguns vídeos com histórias da tradição da benzeção, em vários cantos do Brasil. Importantes registros desse saber ancestral e vivo, repassado de geração em geração e mantido pela resistência e amor dessas senhoras e senhores de fé.


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