DESAVERSOS (POESIAS)

Lançamento: Oráculo Poético

A poesia é um céu aberto de conexões e liberdade, uma linguagem atemporal que vem direto da alma. Talvez por isso muita gente vinha me dizendo que lê os meus livros como oráculos, abrindo uma página por dia, na intuição. Pois bem! Atendendo a pedidos, nasce o Oráculo Poético, minha nova publicação autoral e independente, com arte gráfica da parceira ilustradora Nara Oliveira.

No Oráculo Poético, você encontra uma guiança simples para nutrir os seus dias com poesias recebidas no chão de saberes ancestrais e em caminhos onde o sagrado é bem-vindo e respeitado. Os versos selecionados integram alguns poemas já publicados e outros inéditos, que ganharam o formato de oráculo para você consultar quando quiser.

Ao todo, 28 cartas poéticas compõem o Oráculo + mais 1 carta adesiva ilustrada + 1 folder de apresentação. As cartas são acolhidas em uma bela caixinha que vem dentro de um saquinho de organza para você carregar na bolsa com segurança. E por que não tem livro de apoio? Porque a poesia é livre e diversa em significados. É para sentir!

Como funciona?
Simples! Você embaralha as cartas, silencia, respira, sintoniza com uma intenção e tira uma carta que trará uma mensagem poética para o seu dia.

Venda aberta para todo o Brasil.
Descontos especiais para compras coletivas.
Entre em contato: keyane.aflora@gmail.com.

DESAVERSOS (POESIAS)

, presentes!

Nenhuma a menos
É um grito necessário
Olha no noticiário
Ainda ousam nos matar
Pois gritaremos
E nem chame de exagero
O machismo é um vespeiro
Mas você vai escutar

O nosso canto
Nossa força, nosso grito
Nossa luta, nossos ritos
Até depois disso acabar
Nós despertamos
O silêncio foi quebrado
E os direitos conquistados
São passos do caminhar

Continuamos
Por todas e pela vida
Por Magô e Margarida
Por Mariele, presente
Transformaremos
Nossa dor em rebeldia
Até que a covardia
Sussurre longe: ausente.

Janeiro/2020


Maria da Glória Poltronieri (Magô) foi assassinada no dia 26 de janeiro de 2020, em Maringá (PR). Foi vítima de feminicídio em um momento de rito e de conexão da sua alma com a natureza. Infelizmente, mulheres ainda são violentadas todos os dias. Não conheci Magô, mas falo dela aqui pela proximidade com a Capoeira e amigos em comum. Por ela e por todas, em todos os cantos do mundo, cantamos, poetizamos, rezamos, pintamos e gritamos: #paremdenosmatar.

Arte: Gabriela Tornai
DESAVERSOS (POESIAS)

Lar

Saúde mesmo é ter amor
Dentro
Fora
E lá, onde ninguém vê

E quando a doença
Em ti aparecer
Convoque a presença
Que sustenta teu ser

Pois doença é desatino
Esquessência de si
É o afastamento
De onde a alma quer ir

Mas se tu bem olhar
Sem pressa e sem medo
Verá que a doença
Sempre conta um segredo

Escuta, aceita
E deixa ela ir
Aprendendo a lembrar
De cuidar bem de si

E celebra
A ciência da tua vida
Pois saúde é ser amor
E, com ele, não há partida.

Índia – Fevereiro/2019

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Financiamento coletivo para publicar dois livros

Saudações, queridxs leitorxs!

Andei sumida aqui do blog e escrevendo um pouco menos para focar na editoração de um livro de poesias. Nesse processo, que foi de grandes aprendizados sobre ser escritora e sobre mim mesma, descobri que não tenho um, mas tenho dois livros para compartilhar com o mundo. Suei, trabalhei intensamente e, enfim, eles estão quase prontos.

Um será impresso de forma independente e se chama Travessias, onde apresento poesias nascidas de vivências com as culturas tradicionais do Brasil, escritas, a maioria, na métrica da poesia popular. O outro, chamado Atraverso, será publicado via Editora e é recheado de poesias em versos livres, conectadas com o silêncio, o sagrado, o tempo e a existência.

Para publicar as duas obras, criei uma campanha de financiamento coletivo no site Benfeitoria, onde você pode doar a quantia que desejar para colaborar com este sonho e, em contrapartida, receber recompensas maravilhosas na sua casa. Entre as recompensas, estão os próprios livros. É como uma pré-compra exclusiva das obras.

Para conhecer a campanha, colaborar e conferir as suas recompensas, é só acessar: www.benfeitoria.com/keyanedias

São quase 10 anos de escrita, oito anos de blog e três anos de autopublicação via zines e cordel. Agora, sinto que é hora de amadurecer o trabalho. Sinto no coração que a escrita está conectada com meu propósito de vida e, com coragem e entrega, me lanço nesse desafio de publicar duas obras. Há novos caminhos a percorrer na escrita e na vida e sinto que está na hora desses livros nascerem.

Conto com a colaboração de meus leitores, da família, dos amigxs e daqueles que apreciam a poesia e sentem o chamado de apoiar uma jovem autora. Ficarei honrada de enviar os livros em suas casas, com exclusividade e dedicatória do coração. Assista o vídeo abaixo e saiba mais sobre essa história!

Compartilha, me apoia! Conto com vocês!!

DESAVERSOS (POESIAS)

Metamorfose

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Imagem: Pinterest

Você será várias borboletas de ti mesmo.
Viverá dezenas de metamorfoses.
Diferentes casulos farão de ti
ex-lagarta da lição bem aprendida.
Cada casulo terá cheiro de morte
e cada morte será vida renascente
das contradições amaduradas.

Você será lagarta outra vez.
Viverá o reinício das metamorfoses.
Diferentes lugares de ti mesmo
se transformarão em campos desconhecidos.
Cada campo terá cheiro de paciência
e cada dia paciente te trará a clareza
de entregar-se ao que for preciso.

Keyane Dias — março/2018

DESAVERSOS (POESIAS)

Esperança

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Minha inquietude é filha da esperança,
esse colo luminoso onde abro os olhos
e vejo como as desnecessidades são menores
que a coragem que transforma.

Já que a vida é um pulsar,
me inquieto com os castelos de mesmices e medos,
carcaças onde habita a crença de que muros de pedra
e orgulho
protegem mais que o amor
e o respeito.

Quem sabe,
essa inquietude esperançosa seja ainda juvenil
ou mesmo inocente.
Pouco importa!
É dela que nasce a poesia metamórfica das borboletas,
a mudança insurgente do agora.

Keyane Dias — janeiro/2018

Foto: @thom_wien
DESAVERSOS (POESIAS)

Aceito

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Pintura: Isabel Bryna

Tem um rasgo
onde engasgo meu peito
toda vez que me esqueço
que é preciso aceitar.
Aceitar
que por mais que eu invente,
que eu desista ou que eu tente
a dor sempre estará.

Pois a dor
que é da cor do invisível
é um sol disponível
querendo se mostrar.
É o parto,
a loucura, a serpente,
é humana, é poente,
é o rio quando é mar.

Keyane Dias — novembro/2017