DESAVERSOS (POESIAS)

Caminhos no cerrado

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Eu caminhava.
E cada passo que eu dava acariciava o Cerrado, pele seca e fértil da Mãe Terra
Meus pés eram dançarinos que se moviam ao toque sutil do coração de Gaia
Enquanto ela me mostrava as veredas de sua superfície
Mas ao andar, parei, senti e vi que não há superfície em Gaia
Tudo que se mostra sobre ela vem de raízes profundas
Vem do sangue que nos aleita
O sangue se mostra na flor vermelha, a jóia* do cerrado
Se mostra no ciclo do feminino e em toda a criação
Quando eu caminhava, sentia que pisava sobre algo maior
Naquele momento eu não era mais eu. Eu era o Todo
Por isso, eu não caminhava
EU CAMINHO

arvores raizes

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Key Dias – 31.0712
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DESAVERSOS (POESIAS)

Gaia

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As experiências da vida se dão em instantes
E é em instantes que se sente o sabor do infinito
No infinito de origens, caminhos e destinos
O espaço-tempo é morada dos seres que legitimam a existência da Unidade
Num só indivíduo integrante da Unidade cabem muitas faces
Mas em todas essas faces há uma mesma Essência
Despida de tudo que é externo, ilusório e efêmero
A Essência caminha intocada pela insistência humana do erro
A Essência não luta, não tentar mostrar-se evidente
Sua verdade está no simples fato de gerar e manter a vida
Numa gestação eterna, Gaia inspira pureza e expira Amor
Num ritmo que pulsa incansável, em todo ser.

Key Dias – 31.07.12


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