ESCRITURAS

Palavras Mensageiras – novo cordel

Salve, gente!

Pouco antes de entrarmos em quarentena global, finalizei o feitio de mais um livreto de literatura de cordel, o Palavras Mensageiras. Como não podemos nos encontrar presencialmente até tudo isso passar (pra cuidar da gente e do próximo), senti de fazer o lançamento virtual e disponibilizar o PDF aqui, na íntegra.

O livreto tem licença Creative Commons, portanto, fica à vontade para ler, repassar o link, baixar, imprimir e multiplicar o cordel por aí, sempre respeitando a ideia de manter a autoria do que for divulgado. É pra gente!

Em Palavras Mensageiras, sentimentos e indagações humanas, femininos, manifestos e sagrados são versados em martelo agalopado, métrica da poesia popular criada por cantadores repentistas e cordelistas do Nordeste brasileiro.

Ilustração de capa: Nara Oliveira.

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ESCRITURAS

Louvação (Martelo Agalopado)

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Percorrendo os caminhos da literatura de cordel, finalizo minha primeira escrita na métrica de um “martelo agalopado“. Sem perfeição, mas com coração! Salve a maestria daqueles e daquelas que fazem nosso legado literário brasileiro, fruto de misturas e reinvenções. Tradição viva que caminha com a gente!

Pintura: Isabel Bryna

Poetizo fazendo oratório
Vou abrindo os portais do coração
Sintonizo com a luz da Criação
E no manto da Mãe faço envoltório
O destino não é obrigatório
Busco a fé para o amadurecer
Consciência ativa pra escolher
Onde firmar a minha energia
Louvo a vida e a luz da poesia
Com elas aprendo a me conhecer

Nessa terra de chão tão abundante
Agradeço por ter prosperidade
E entender que a nossa liberdade
É dos ganhos o mais importante
Me atento agora e nesse instante
Para disso eu não me esquecer
Que a riqueza só gera bem-viver
Se houver paz, saúde e harmonia
Louvo a vida e a luz da poesia
Com elas aprendo a me conhecer

Senhor tempo pai velho da existência
Agradeço por ser minha morada
Nutrição dessa Divina jornada
Em lembrar o acesso à consciência
Para isso me amparo na ciência
De quem pisa na terra sem temer
Desapega, aprendendo como ter
A simplicidade como sua guia
Louvo a vida e a luz da poesia
Com elas aprendo a me conhecer

Perfeição não é coisa deste mundo
E os tropeços são nossa provação
Por isso faço a minha oração
Perdoando meu próprio submundo
Invocando o propósito profundo
E a missão de poder reconhecer
Os erros que fizeram eu crescer
E aprender paciente dia a dia
Louvo a vida e a luz da poesia
Com elas aprendo a me conhecer.

Keyane Dias — 28.07.2017