DESAVERSOS (POESIAS)

Sertão do Brasil Central

[Ao sertão cerrado de Minas Gerais. Poesia vencedora do Concurso de Poesia do VII Encontro do Bonito – Formosa (GO)]

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Já diria o Rosa: “O sertão é do tamanho do mundo…” Foto: Mariana Cabral

Cerrado é senhor velho
Profunda sabedoria
Onde resiste flor valente
Sempre-viva na estia

Veredas, chapadões
Sertão do Brasil Central
Céu do tamanho do mundo
Sem princípio, nem final

Morada de berço d’água
Clima seco, ora chuvoso
Foi lá que disse o Rosa
“Viver é muito perigoso”

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Seu Argemiro, um mestre caminhante das matas do Cerrado. Foto: Mariana Cabral

Quem diz que o Cerrado
É mata morta, sem feitio
Não conhece sua cultura
Nem o povo que a pariu

Entre calango e carcará
De pé, em movimento
Se embrenha a sua gente
Na feitura do seu tempo

Benzedeiras, foliões
Divino, Reis vão louvar
Lundu e curralera
Só vê quem lá está

Buriti dá tudo um pouco
Sabor, beleza, proteção
Pequi, único gosto
Do tingui se faz sabão

Sozinha, vendo tudo
Caliandra sempre está
Barbatimão, forte remédio
Da medicina popular

Cura do mato, de tradição
Senhora erveira sabe usar
Vão das Almas, dos Buracos
Quilombo também tem lá

A essência dessas terras
É como aboio de vaqueiro
Vem da alma desse povo
Cerratense, brasileiro.

Keyane Dias
agosto de 2014 – Taguatinga (DF)

DESAVERSOS (POESIAS)

Ser[tão] Cerrado

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“A vida da gente dá sete volta – se diz. A vida nem é da gente…” – Foto: Vinicius Mazzon


Ainda escuto pulsante

a folia.
Vozes velhas, violadas,
sabedoria.

A benza com ramo vivo,
eu sinto.
Tão ser grande esse cerrado,
l
abirinto.

“Poeira dentro da gente”
comi.
Onde nasce o olho d’água,
eu vi:

Mistérios de Diadorim,
a essência.
Como a força dessas matas:
resiliência.

Sertão que não nos deixa
sozinhos.
Travessia de si, de nós:
caminhos.

[poesia dedicada ao cerrado dos Gerais, inspirada no Caminho do Sertão]

Keyane Dias
06.08.14 – Taguatinga (DF)


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