Louvação (Martelo Agalopado)

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Percorrendo os caminhos da literatura de cordel, finalizo minha primeira escrita na métrica de um “martelo agalopado“. Sem perfeição, mas com coração! Salve a maestria daqueles e daquelas que fazem nosso legado literário brasileiro, fruto de misturas e reinvenções. Tradição viva que caminha com a gente!

Pintura: Isabel Bryna

Poetizo fazendo oratório
Vou abrindo os portais do coração
Sintonizo com a luz da Criação
E no manto da Mãe faço envoltório
O destino não é obrigatório
Busco a fé para o amadurecer
Consciência ativa pra escolher
Onde firmar a minha energia
Louvo a vida e a luz da poesia
Com elas aprendo a me conhecer

Nessa terra de chão tão abundante
Agradeço por ter prosperidade
E entender que a nossa liberdade
É dos ganhos o mais importante
Me atento agora e nesse instante
Para disso eu não me esquecer
Que a riqueza só gera bem-viver
Se houver paz, saúde e harmonia
Louvo a vida e a luz da poesia
Com elas aprendo a me conhecer

Senhor tempo pai velho da existência
Agradeço por ser minha morada
Nutrição dessa Divina jornada
Em lembrar o acesso à consciência
Para isso me amparo na ciência
De quem pisa na terra sem temer
Desapega, aprendendo como ter
A simplicidade como sua guia
Louvo a vida e a luz da poesia
Com elas aprendo a me conhecer

Perfeição não é coisa deste mundo
E os tropeços são nossa provação
Por isso faço a minha oração
Perdoando meu próprio submundo
Invocando o propósito profundo
E a missão de poder reconhecer
Os erros que fizeram eu crescer
E aprender paciente dia a dia
Louvo a vida e a luz da poesia
Com elas aprendo a me conhecer.

Keyane Dias — 28.07.2017

Cordel Benzadeus!

Quando bem jovem, fui estudar Jornalismo, sem ainda entender o chamado de simplesmente escrever e poetizar o que percebo no mundo. No retorno aos saberes da terra e à elevada simplicidade das tradições, fui logo descobrindo que os cordelistas são os comunicadores primeiros do sertão e que poetas, pelo mundo afora, são a eterna voz caminhante na busca de sentido, “estrangeiros no mundo” contando histórias.

Depois de firmar os pés na poesia, chego ao inevitável, escrevo meu primeiro cordel. Neste folheto, trago o feminino de uma mulher nascida e vivente numa era de transição. Sem discurso de ódio ou separação, falo aqui de saberes que não sucumbiram à engenhosa opressão capitalista e machista que está caindo. Mundo velho se vai e as ciências da vida e da terra se refinam para o mundo não padecer.

Dedico e ofereço estes versos às minhas avós e avôs, raízes de sertões nordestinos da qual sou semente viva. Aos cordelistas e poetas populares. Às minhas ancestrais e às senhoras, senhores, mestras, yoguis e griôs com quem aprendo sobre Saúde e Vida pelo Brasil adentro e (um dia) pelo mundo afora.

Graças a Deus e com fé na guia!

*
A licença aqui vos peço
Pra esse cordel passar
Aos antigos versadores
A bença pra eu chegar
Sou mulher de poesia
E, com ela, todo dia
Escrevo pra assuntar

Aqui, trago memórias
Em versos de cantoria
Pra falar das guardiãs
Dos saberes de valia
Rezadeiras e parteiras
Benzedeiras e erveiras
Mulheres de valentia…