DESAVERSOS (POESIAS)

Lar

Saúde mesmo é ter amor
Dentro
Fora
E lá, onde ninguém vê

E quando a doença
Em ti aparecer
Convoque a presença
Que sustenta teu ser

Pois doença é desatino
Esquessência de si
É o afastamento
De onde a alma quer ir

Mas se tu bem olhar
Sem pressa e sem medo
Verá que a doença
Sempre conta um segredo

Escuta, aceita
E deixa ela ir
Aprendendo a lembrar
De cuidar bem de si

E celebra
A ciência da tua vida
Pois saúde é ser amor
E, com ele, não há partida.

Key Dias
Índia – Fevereiro/2019

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Financiamento coletivo para publicar dois livros

Saudações, queridxs leitorxs!

Andei sumida aqui do blog e escrevendo um pouco menos para focar na editoração de um livro de poesias. Nesse processo, que foi de grandes aprendizados sobre ser escritora e sobre mim mesma, descobri que não tenho um, mas tenho dois livros para compartilhar com o mundo. Suei, trabalhei intensamente e, enfim, eles estão quase prontos.

Um será impresso de forma independente e se chama Travessias, onde apresento poesias nascidas de vivências com as culturas tradicionais do Brasil, escritas, a maioria, na métrica da poesia popular. O outro, chamado Atraverso, será publicado via Editora e é recheado de poesias em versos livres, conectadas com o silêncio, o sagrado, o tempo e a existência.

Para publicar as duas obras, criei uma campanha de financiamento coletivo no site Benfeitoria, onde você pode doar a quantia que desejar para colaborar com este sonho e, em contrapartida, receber recompensas maravilhosas na sua casa. Entre as recompensas, estão os próprios livros. É como uma pré-compra exclusiva das obras.

Para conhecer a campanha, colaborar e conferir as suas recompensas, é só acessar: www.benfeitoria.com/keyanedias

São quase 10 anos de escrita, oito anos de blog e três anos de autopublicação via zines e cordel. Agora, sinto que é hora de amadurecer o trabalho. Sinto no coração que a escrita está conectada com meu propósito de vida e, com coragem e entrega, me lanço nesse desafio de publicar duas obras. Há novos caminhos a percorrer na escrita e na vida e sinto que está na hora desses livros nascerem.

Conto com a colaboração de meus leitores, da família, dos amigxs e daqueles que apreciam a poesia e sentem o chamado de apoiar uma jovem autora. Ficarei honrada de enviar os livros em suas casas, com exclusividade e dedicatória do coração. Assista o vídeo abaixo e saiba mais sobre essa história!

Compartilha, me apoia! Conto com vocês!!

DESAVERSOS (POESIAS)

Entrelinhamente

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Foto: Mariana Cabral. Sertão de Minas Gerais

Sou tão densa quanto a dor
e tão leve quanto o amor,
sou a entrelinha dos versos que pari.

E se o que sou se esconde de mim,
é farejando a palavra que me encontro
no silêncio que precede a poesia.

É a poesia nua feito o chão,
crua feita a água
e lua
feita a paixão que me seduz
para experimentar o gozo
da palavra vivida em verso.

A palavra me fez poeta
para psicografar as sutilezas
do que vivo no mundo.

Keyane Dias — Agosto/2017

DESAVERSOS (POESIAS)

Amadurecência

.
Nasci querendo ser velha.
Desde menina admirava os cabelos brancos,
as linhas de expressão,
a quietude de quem transmutou-se
e sabe o que realmente importa.

Cansada do fulgor juvenil,
sonhava com as cadeiras de balanço,
o chá dos crepúsculos
e o olhar de quem aprendeu o afinamento
da sagrada relação com o tempo.

Mas é claro que tropecei.
Acaso não é o percorrer da juventude
a matéria-prima da sabedoria anciã?
Sem outro caminho de sentido,
aceitei ser jovem e não saber.

Foi então que a amadurecência chegou,
trazendo a poesia de minha criança
que anseia apenar ser o que é.
Aceitei viver com o pé no chão,
sem perder de vista as estrelas.

Não há inverno sem outono,
nem outono sem verão,
e eu, ainda primavera,
aprendi que a presença dos dias
é quem faz a beleza das idades.

Imagem: Gregory Colbert (Ashes and Snow)

 

DESAVERSOS (POESIAS)

Superfície

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Ilustra: Robyn Chance

De baixo do que penso
está o que sinto.
De baixo do que sinto
está o que sou.

E no fundo…
no fundo estão as sagradas miudezas,
cochichos sinceros
feito conchinhas que deságuam
nas bordas do mar.

Levei tão a sério
a vida que quer brincar.
Mas hoje a vejo na flor
que sublima do fundo
mostrando que é na superfície
o lugar de aflorar.

Key Dias — Agosto de 2017