Yoga

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Há vários conceitos sobre o que é Yoga. Para mim, Yoga é um caminho filosófico e vivencial onde podemos conhecer mais sobre nós mesmas(os) e sobre o modo como o mundo atravessa nossos corpos, mente e emoções. Mas também pode ser o inverso, revelando-nos como nossos corpos, mente e emoções atravessam o mundo.

Com Yoga, e suas pedagogias, podemos olhar as perturbações que nos afligem com uma grande lupa, experimentando possibilidades de libertação através do nosso corpo-casa. Dispersões mentais, colonização e rigidez do corpo, trapaças do ego, ignorâncias, apegos, aversões… Tem de tudo em nós, seres inacabados que ousamos girar na ciranda do Yoga.

Etimologicamente, partindo da raiz sânscrita yuj, Yoga significa juntar ou unir. Suas bases éticas e suas práticas físicas, sutis e espirituais propõem reintegrar nosso corpo, consciência e alma entre si e com os ritmos cíclicos universais. Esse sentido de unidade tem como objetivo a libertação final: um estado de lucidez e de reconhecimento desapegado de si e da vida.

Se existe em nós um íntimo conectado à unidade ou ao todo, Yoga é uma porta aberta para a jornada interior, uma prática de auto-observação que nos possibilita viver como seres humanos, e sociais, conscientes da integração entre o micro e o macro. Yoga é meio e fim. É sadhana, prática, travessia contínua para uma autorregulação orgânica e sutil.

“A meta final do dharma (leis sagradas da natureza) é a integração do indivíduo ao universo,
por meio do desenvolvimento da consciência. A Yoga, o caminho interior
que funde a mente com os ritmos cíclicos do cosmos,
é um meio de atingir essa meta.”
— Bri. Maya Tiwari —

Desenvolvido na cultura indiana há milênios, a ciência do Yoga foi transmitida pela tradição oral e transcrita em tratados literários por sábios poetas, chamados rishs. Também se compreende Yoga como uma sabedoria de origem divina, revelada aos humanos pelo deus Shiva, o dançarino cósmico. Como tal, Yoga é reconhecido como um dos seis sistemas filosóficos hinduístas, chamados de darshanas.

Entre as escrituras de maior influência está “Os Yogasutras de Patanjali”, datado por volta do século II a.C. Patanjali, que também estudava Ayurveda e Gramática, compilou 196 aforismos (frases curtas sequenciais) que apresentam bases filosóficas. São nos sutras que encontramos os Oito Passos do Yoga – Astanga, incorporados em escolas desenvolvidas posteriormente a partir de novas ressignificações, como o Hatha Yoga.

Esses oito passos ou oito pétalas descrevem uma espécie de mapa, onde múltiplas trilhas podem ser abertas:

  • Yamas (princípios éticos externos);
  • Nyamas (princípios éticos internos);
  • Asanas (posturas físicas que possibilitam estabilidade);
  • Pranayama (controle da respiração);
  • Pratyahara (controle e recolhimento dos sentidos);
  • Dharana (concentração);
  • Dhyana (meditação);
  • Samadhi (absorção no êxtase).

“Os exercícios de Yoga desenvolvem o corpo até o nível da mente vibrante,
para que corpo e mente, tendo ambos se tornado vibrantes,
sejam atraídos pela luz da alma.”

— B.K.S. Iyengar —

Da Índia para o mundo, Yoga segue traduzindo a vida e se reinventando em cada indivíduo, cultura e sociedade com a qual interage. A partir do seu “mapa vivencial” e de outras trilhas abertas, praticantes encontram chão para abrir o corpo, apurar as emoções, focar a mente e sutilizar a percepção… do denso ao sutil, na dança gingada entre os opostos.

Poeticamente, Yoga é uma ciranda atemporal que nos desnuda a cada aurora. Uma grande roda, onde o jogo de dentro reflete a dança maior, nos convidando a observar com coragem e, quem sabe um dia, sem apego. É além das escrituras, é além de gurus, é além das posturas no tapetinho (sem negar nenhum deles). É vida vivida.

“Corpo, sal, memória.
Primeiro e derradeiro território depois do umbigo cortado.
Orgânico, tátil, findo. Seco, molhado, sentido.
Água que vira lama. Fogo que sobe.
Pó que se dissolve no vento.
Arrebentação do que não vejo.
Experimento.”
— Keyane Dias —


Referências:
– Práticas e estudos vivenciais com minhas professoras e professores.
– O Caminho da Prática – Bri Maya Tiwari, Ed. Rocco, RJ, 2004.
– Luz na Vida – B.K.S. Iyengar, Ed. Summus, SP, 2007.
– Os Yogasutras de Patanjali – Carlos Eduardo G. Barbosa (tradução e comentários), SP, 1999.
– Yoga Malandro – Roberto Simões, Editora Dialética, MG, 2020.
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SE LIGA!
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